Arte e Educação

“A arte não é capaz de nos salvar da morte, mas pode nos salvar da vida.”

A arte é uma forma de olhar o mundo. É observar os detalhes e buscar no simbólico aquilo que tem de mais concreto na sociedade.

É um olhar distante e completamente submerso ao mesmo tempo.

A sociedade ocidental tentou separar a arte da educação. Criou escolas para educar e teatros, museus, bibliotecas e outros espaços para produzir arte. Criou também as periferias para distanciar e limitar o acesso a ambas para a parcela preta e pobre da população.

Acontece que arte e educação não podem estar separadas porque todo processo artístico produz conhecimento e toda obra de arte educa.

Todas as políticas de marginalização não foram capazes de arrancar das periferias o direito à arte e à educação. Se por um lado o Estado só aparece nestes espaços como forma de repressão através da polícia, por outro, deste mesmo território brota arte.

Trata-se de manifestações artísticas em geral marginalizadas e até mesmo criminalizadas. Produzir arte na periferia é sempre uma resistência. Resistência que começa pela teimosia de conseguir existir.

A repressão às manifestações culturais e artísticas pretas e periféricas é uma política necessária para garantir a manutenção desta ordem social baseada nas desigualdades. Não foi na escola que eu aprendi sobre Dandara ou sobre a revolução do Haiti. Foi na batalha de rima, foi na roda de capoeira, foi no slam.

Ao contrário da cultura ocidental, nós não separamos arte de educação, nós nos educamos através da arte.

Bruna Motta

Bruna Motta

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